Olá pessoal! Hoje teremos um post rápido, mas sem dúvida muito significativo. Quero apresentar pra vocês uma personagem muito querida por mim, a Macabéia. Para quem não conhece, ela é a personagem principal do romance A hora da Estrela, escrito por Clarisse Lispector.
Esse romance foi o primeiro da Clarisse que me tocou de verdade, aquele que me fez ver que ela é mesmo essa Coca-Cola toda que as pessoas dizem. O livro nos faz questionar bastante sobre as nossas vidas e como estamos levando ela. Macabéia é uma personagem humilde que realmente consegue nos acordar pra vida.
Quero muito que vocês conheçam ela, por isso, trouxe uma indicação de filme. Será maravilhoso se vocês pudessem ler a obra antes, mas mesmo se não der, veja o filme. O link está aqui em baixo, só apertar o play. O filme consegue ser tão bom quanto o livro, confiram e vamos discutir depois.





Bem, isso é tudo pessoal! Quero ver suas opiniões nos comentários! Beijos

                                                             


BUENO, Luís. Os três tempos do romance de 30. Revista Teresa (USP), São Paulo, v. 3, p. 254-283, 2003.
Em seu ensaio Os três tempos do romance de 30, publicado pela revista Teresa da Universidade Estadual de São Paulo (USP), o pesquisador Luís Bueno defende a ideia de que os romances publicados na década de 30 passaram por três fases distintas.
Para o autor, a década de 30 não pode ser vista apenas como um tempo de profunda cisão intelectual, na qual a polarização ideológica seria facilmente identificada nos membros de dois grupos distintos, dos quais os romancistas da época faziam parte, mas sim como um dos três tempos no qual este período se divide. Para ilustrar sua tese, o autor faz um levantamento minucioso de obras publicadas na época relacionando-as com o contexto social vivido pelos autores em cada um dos tempos apresentados por ele.
No primeiro tempo do romance de 30, de 1930 à 1932, Bueno destaca a inquietação vivida pelos autores deste tempo, o desejo de criar uma literatura que abrangesse uma definição ideológica concisa. Esta inquietude, pode ser notada em obras como O país do Carnaval e Inquietos que, segundo o autor, apresentam uma narrativa mais focada no coletivo que no individual, ilustrada por jovens que procuram por estabilidade para afirmar suas ideologias, vivendo uma inquietude constante durante esta busca. O autor destaca ainda outros romances que buscam algo mais que o anseio por uma definição ideológica, são obras que se aproximam das características do romance social, mas não chegam a alcançar este objetivo. Nestas obras como Gororoba, O Quinze e Menino de Engenho, os autores, elite intelectual, tenta aproximar as camadas mais baixas com a elite, mas acabam falhando neste esforço pois não parece algo Natural.
A polarização, enfatizada anteriormente por Bueno, que dividia as elites intelectuais da época, é o que move o segundo tempo do romance de 30, 1933 à 1936, é neste período que o romance social atinge seu auge. Alguns romances publicados neste período, chamados de romance proletário como, Cacau, Os Corumbas e Serafim Ponte Grande, trazem novidade para o romance brasileiro ao inserir em sua narrativa figuras marginais, desta forma, estes romances apontam pra uma maior preocupação com as revoltas e com as massas, o coletivo.
Há nestes romances, um rompimento com o romance burguês, com o individualismo, a partir deste momento a ação individual passa a ser um conjunto amplo de ações. Como destaca Bueno, “o que o sucesso de Cacau e Os Corumbas, mais a discussão que se seguira a ele, promoveu foi um verdadeiro mergulho da ficção brasileira naquilo que podemos chamar de “figuração do outro” (BUENO, 2002, p. 262)
O autor ressalta em seu texto, o empasse enfrentado por alguns escritores ao criar um romance proletário, pois em algumas obras, mesmo se falando sobre classes marginais, ainda se podia notar um olhar que distinguia a superioridade entre as classes intelectuais das marginais. Porém, aponta Bueno, mesmo com esse distanciamento entre classes sociais, houve um grande esforço da parte destes escritores para ver além dos limites de sua própria intelectualidade e introduzir na cultura letrada “elementos até aquele momento tidos como bastardos ou nitidamente inferiores.” (BUENO, 2002, p. 270)
Este movimento de figuração do outro não foi o único movimento ocorrido nesta fase. As classes mais altas também estiveram presentes nos romances brasileiros destes anos, romances que eram o oposto do romance proletário. Estas obras, chamadas de literatura intimista ou psicológica, não apresenta nenhum traço da literatura de massa, o foco desses romances é o indivíduo. Bueno, cita alguns autores importantes que representam este tempo, mas destaca que a obra mais relevante é a escrita por Octávio de Faria, suas obras abordam temas burgueses, como religião e política. Tal qual apontado anteriormente nos romances proletário, os romances mais intimistas também sofreram impasses na escrita.
Bueno diz que, mesmo a intelectualidade estando dividida em dois lados, na qual haviam diferentes formas de pensamento e escrita, “o movimento geral entre os dois lados da polarização não se dá em sentidos opostos, e sim em termos de trajetórias paralelas.” (BUENO, 2002, p. 273)
O último tempo descrito por Luís Bueno é o tempo da dúvida, de 1937 à 1939, no qual o romance social passa por um esgotamento, vários são os acontecimentos que levam a este fato, como a instauração do Estado Novo, que alteram mudanças nos grupos de intelectuais da época. O ambiente literário também passa por mudanças, o romance social já não é mais visto como novidade. Surge uma nova dúvida, diferente dos inquietos que buscavam uma convicção firme, esta dúvida “nasce da incerteza diante de um regime definitivamente fechado e da perspectiva de uma guerra que iria decidir o destino do mundo” (BUENO, 2002, p. 279)

Por fim, o autor encerra seu ensaio apontando esse estado de dúvidas quanto ao futuro que despontava no final da década de trinta. Bueno, finaliza o seu artigo dizendo as seguintes palavras: “Num tempo de dor, é preciso assumir a dor e construir sobre ela um futuro. A única opção além dessa parece ser desistir. É esse o alvorecer da nova década que o romance brasileiro desenha: o da ditadura e o da ameaça da vitória nazista numa guerra de impensável violência” (BUENO, 2002, p.283)

Fonte da imagem 
O conto “Um apólogo” escrito por Machado de Assis (grande escritor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, que além de contista foi cronista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta) narra um discussão entre uma linha e uma agulha.  A discussão entre a linha e a agulha nada mais é do que uma disputa de vaidades. Uma tentando mostrar sua superioridade perante a outra. 
Neste conto o autor está ironizando costumes humanos por meio de personagens inanimados (linha e agulha). Através da história destas personagens, Machado de Assis critica a sociedade com seus ciúmes e invejas.
O autor cria dois perfis de seres humanos neste conto: os que trabalham firme e que verdadeiramente “botam a mão na massa”, e os que não se sacrificam tanto mas recebem a fama pelo trabalho feito.
Este é um conto muito bem escrito, que serve para mostrar as falhas do caráter humano. Através da história da linha e da agulha podemos refletir sobre nossas próprias ações. Uma pergunta que focou no fim do conto é: “Sou linha ou agulha?” ou seja, “Será que estou fazendo o trabalho duro ou só me favorecendo pelo trabalho alheio?”  São esses questionamentos que fazem esse conto ser tão atual, apesar de ter sido escrito no século XIX.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ASSIS, MACHADO DE. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. Editora Ática: São Paulo, 1984. P. 59.

Fonte da imagem
Título : Por que Estudar Literatura?
Autor: Vincent Jouve 
Gênero: Ensaio, Crítica Literária, Teoria
Editora:  Editora Parábola
Ano: 2012
Páginas: 168

Sinopse: "É preciso ensinar literatura? A pergunta pode parecer brutal. Mesmo assim, merece ser feita. Diante de currículos de ensino sobrecarregados, é legítimo reservar tempo ao estudo de textos de natureza incerta e cuja função não está clara? Neste ensaio, Vincent Jouve demonstra o papel imprescindível dos estudos literários porque eles participam da consciência daquilo que somos e incidem sobre a formação do espírito crítico, motor de toda evolução cultural. A literatura tem um valor específico que confere legitimidade aos estudos literários, porque o confronto com as obras enriquece nossa existência ao abrir o campo dos possíveis. A literatura, pela liberdade que a funda, exprime conteúdos diversos, essenciais e secundários, evidentes e problemáticos, coerentes e contraditórios, que frequentemente antecipam os conhecimentos vindouros. Em cada época, textos estranhos e atípicos nos mostram (ou nos lembram) que o ser humano continua sendo um universo com vasta extensão a explorar. Esta obra se dirige aos pesquisadores em teoria literária, em teoria da arte, e, primeiramente, aos professores e estudantes de literatura interessados em pensar sua prática de ensino e de estudos, além de se dirigir a todos os amantes da literatura."

Olá pessoal!  Hoje temos resenha nova, mas como o livro é complexo, a resenha é apenas sobre um capítulo específico. Espero que ela sirva para discutirmos um pouco mais sobre literatura por aqui! 
O capítulo “A significação artística”, escrito pelo pesquisador Vincent Jouve presente em seu livro intitulado Por que estudar literatura?  trata sobre a maneira de considerar a arte que, no ponto de vista do autor, deve ser considerada pelo desenrolar da criação, ou seja, seu processo. Jouve pretende neste texto, esclarecer a maneira como o processo de criação de uma obra é importante para sua contribuição artística.
O texto se divide em três subcapítulos que se correlacionam. No primeiro, “A arte como prática”, o autor descreve duas características importantes do processo de criação, que é a finalidade da obra e o domínio não completo do artista sobre a obra. Em seguida em “A especificidade do sentido artístico” o pesquisador explica que devemos considerar a obra literária como sintoma e não como uma sinal, pois o autor não possui um controle completo sobre sua obra, desta forma, considerar uma obra literária como sinal, seria pressupor que o autor mantivesse um certo domínio sobre sua criação. Já em “A forma pelo menos: o pensamento inscrito” Jouve revela que não se deve desvincular a forma do conteúdo em uma obra literária, pois ela faz parte do sentido da obra, e a forma deve sempre ser levada em conta.
O autor destaca que, ao produzir um texto literário, o artista não tem consciência da proporção que sua escrita pode tomar, o escritor não tem o controle total de sua escrita, pois um texto pode ter seu sentido atualizado de acordo com contextos diversos nos quais a obra pode ser lida. 
Vincent Jouve deixa claro sua intenção de mostrar ao leitor que, para entender uma obra de arte, é necessário examinar a relação entre a forma que o autor escolheu para sua criação e a maneira como essa criação foi produzida. Nas palavras do pesquisador “todo texto possui uma dupla dimensão”, ou seja, em um texto literário forma não pode ser separada do conteúdo porque ela faz parte do sentido do texto.
Jouve escreve de uma maneira objetiva, na qual se pode compreender claramente suas ideias pois, para facilitar a compreensão de seu texto, ele se vale de exemplos de obras que são conhecidas pelo seu público leitor como, Madame Bovary, Anna Karenina, entre outras.
Este capítulo escrito por Jouve é indispensável para quem deseja aprender sobre a interpretação de uma obra literária e artística. A partir desta leitura, o estudante consegue ter uma base sobre qual é a participação que o autor da obra tem em seu processo de construção, e quais as dimensões que essa obra de arte pode adquirir depois de ser concluída. 

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA: 

JOUVE, Vincent. Por que estudar literatura? Trad. Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012. p.81 a 92.


Olá meus queridos, percebi que não postei nenhum poema por aqui ainda... Que feio uma bibliotecaa sem poesia!! Vamos corrigir isso já. Hoje trago pra vocês um dos meus poemas favoritos, escrito pelo poeta romântico Castro Alves. Apenas desfrutem, beijos ♥ 


AS DUAS FLORES


São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Autor: (Castro Alves)


Título Original: Babettes gæstebud
Diretor: Gabriel Axel
Gênero: Drama
Nacionalidade:  Dinamarca
Ano de lançamento: 1987
Atores principais: Stéphane Audran, Harsant
Asta Esper Andersen, Birgitte Federspiel, Bodil Kjer
Avaliação:  


Sinopse: “Na desolada costa da Dinamarca vivem Martina e Philippa, as belas filhas de um devoto pastor protestante que prega a salvação através da renúncia. As irmãs sacrificam suas paixões da juventude em nome da fé e das obrigações, e mesmo muitos anos depois da morte do pai, elas mantém vivos seus ensinamentos entre os habitantes da cidade. Mas com a chegada de Babette, uma misteriosa refugiada da guerra civil na França, a vida para as irmãs e seu pequeno povoado começa a mudar. Logo Babette as convence a tentar algo realmente ousado - um banquete francês! Sua festa, é claro, escandaliza os mais velhos do lugar. Quem é esta surpreendentemente talentosa Babette, que tem apavorado os moradores desta devota cidade com a perspectiva deles perderem suas almas por deleitarem-se com prazeres terrenos? ”

O filme conta a história de duas irmãs que, que quando jovens, viviam com o pai que era um rigoroso pastor luterano, de um pequeno vilarejo. As irmãs eram belas e os rapazes ficavam muito interessados nelas.
 Em uma noite, bate à sua porta uma parisiense pedindo refúgio: Babette foge da repressão à Comuna de Paris e se oferece para ser a cozinheira e faxineira da família, ela fica trabalhando para as irmãs sem pedir nada em troca além de abrigo.
Babette fica trabalhando para as irmãs por quatorze anos, e um dia quando ela ainda estava trabalhando na casa, recebe a notícia de que ganhara uma fortuna numa loteria em Paris. Em vez de voltar à terra natal, resolve ficar e gastar o dinheiro em um autêntico jantar francês que oferece à comunidade, aproveitando para comemorar o centésimo aniversário do pastor.
Seu jantar foi motivo de preconceito por parte das irmãs e da comunidade pois ninguém conhecia o tipo de ingredientes que ela queria preparar, e ficaram receosos quanto á comida que iriam provar. Porém seu banquete impressionou os convidados, e principalmente um tenente que estava de visita ao vilarejo ficou impressionado com o jantar, Babette foi muito elogiada por todos.
Mesmo que o filme dê um pouco de sono no ínicio, vale a pena continuar vendo. Achei o filme instigante e reflexivo... A fotografia um pouco escura contribuiu para enaltecer a narrativa como um todo... Prazer, pecado, graça, desapego são temas muito bem trabalhado. Um filme clássico, para se assistir mais de uma vez. São vários os ensinamentos, recomendo!

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