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Título : O Veleiro de Cristal
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Gênero: Romance, Infantojuvenil
Editora:  Editora Melhoramentos
Ano: 1973 
Páginas: 97
Avaliação: 


Sinopse: "O livro é um convite ao leitor para uma viagem a bordo do "Veleiro de Cristal", uma casa de praia que Edu, garoto de treze anos, transforma em um mágico navio. Após sofrer uma delicada cirurgia, o menino de cabeça grande, aleijado e esquecido pelos familiares luta para superar as dificuldades, velejando nos mares da fantasia, do sonho e da imaginação com a querida tia Anna e os amigos: o tigre Gabriel, a coruja Mintaka e o sapo Bolitrô. História sensível, repleta de poesia que resgata o encontro das coisas mais singelas da vida."

Olá pessoal! Hoje vou trazer a resenha de um livro que fez parte da minha lista de favoritos por muito tempo. O livro é escrito para jovens, e o autor, já falecido, foi reconhecidíssmo por seus trabalhos, mesmo estando um pouco esquecido hoje em dia.
O Veleiro de Cristal é um romance juvenil, escrito por José Mauro de Vasconcelos, e publicado no ano de 1973. A primeira e única parte do livro, intitulada “Monólogo da Solidão”, é composta por onze capítulos.
O texto narra a história de Eduardo, um menino solitário, que enfrenta uma doença terminal. O romance apresenta o seguinte enredo: Um garoto doente é levado por sua tia para se recuperar de uma cirurgia em uma casa de praia. Nesta casa, o menino faz amizade com alguns seres animizados, um tigre de bronze, uma coruja empalhada e uma sapinho, que transformam a sua estadia na casa uma aventura. Por fim, o leitor que toda a viagem feita pelo garoto acontece apenas em sua imaginação, e ele morre após a cirurgia.
As personagens fundamentais do romance são: Eduardo, sua tia Anna, o tigre de bronze Gabriel, a coruja Mintaka, e o sapo Bilitrô. A família do menino, o pai, a mãe os dois irmãos, e os funcionários da casa na praia são apenas mencionados na história.
As personagens principais da obra são Eduardo e sua tia Ana, porém os outros personagens, o tigre, a coruja e o sapo, mesmo secundários, são importantes para o desenvolvimento do conflito dramático da narrativa.
Eu amava muito esse livro, mas tive que fazer um trabalho sobre ele e acabei não me simpatizando muito com a história na segunda leitura. É claro que não é um livro ruim, pelo contrário, mas peca muito na apelação dramática sobre o sofrimento do garoto. O autor fala bem sobre morte e solidão, mas acho que o tom da narrativa é apelativo. Tenho certeza que esse livro pode te fazer ficar emocionado, então se você gosta de livros emocionantes e com linguagem fácil, O veleiro de Cristal é recomendadíssimo! 

Olá pessoal! Hoje teremos um post rápido, mas sem dúvida muito significativo. Quero apresentar pra vocês uma personagem muito querida por mim, a Macabéia. Para quem não conhece, ela é a personagem principal do romance A hora da Estrela, escrito por Clarisse Lispector.
Esse romance foi o primeiro da Clarisse que me tocou de verdade, aquele que me fez ver que ela é mesmo essa Coca-Cola toda que as pessoas dizem. O livro nos faz questionar bastante sobre as nossas vidas e como estamos levando ela. Macabéia é uma personagem humilde que realmente consegue nos acordar pra vida.
Quero muito que vocês conheçam ela, por isso, trouxe uma indicação de filme. Será maravilhoso se vocês pudessem ler a obra antes, mas mesmo se não der, veja o filme. O link está aqui em baixo, só apertar o play. O filme consegue ser tão bom quanto o livro, confiram e vamos discutir depois.





Bem, isso é tudo pessoal! Quero ver suas opiniões nos comentários! Beijos

        


Título : A marca de uma Lágrima
Autor: Pedro Bandeira
Gênero: Romance, Infantojuvenil
Editora:  Editora Moderna
Ano: 2003
Páginas: 128
Avaliação:

Sinopse: "Isabel (personagem principal) acaba escrevendo lindos versos para ajudar o namoro de Rosana, sua melhor amiga, com Cristiano, seu grande amor. A morte da diretora da escola vem alterar sua vida e precipitar os acontecimentos. Isabel foi testemunha de uma cena muito suspeita e se sente ameaçada. A idéia da morte começa a tomar conta de seu cérebro, enquanto seu coração se despedaça pelo amor de Cristiano."

        Olá pessoal! Confesso que sou uma grande fã dos livros do Pedro Bandeira, lia vários livros dele antigamente, mas nunca tinha lido esse A marca de uma lágrima, tive que ler na matéria de Literatura Infantil da faculdade e resolvi trazer uma resenha pra vocês.
O Livro A marca de uma Lágrima, do escritor Pedro Bandeira, narra a história da menina Isabel, uma garota com problemas de aparência que se sente feia e rejeitada. A menina têm em seu espelho um inimigo, pois é ele que mostra seus defeitos. Certo dia ela é convidada para a festa de aniversário de um primo que não via há muito tempo, Cristiano, por quem a garoto fica apaixonada. O primo acaba ficando interessado na amiga de Isabel, a menina Rosana. A menina, mesmo triste, acaba ajudando no relacionamento de Cristiano e Rosana, escrevendo cartas para eles.
 A história dá uma reviravolta quando Isabel vira testemunha do assassinato da diretora do colégio. Então, mesmo sofrendo com o amor não correspondido por Cristiano, Isabel tem que desvendar quem foi o culpado pela morte da diretora.
O tempo da narrativa é linear, mesmo não havendo nenhuma marcação cronológica, podemos notar que a história se passa de forma contínua, sem reviravoltas. O narrador da obra é onisciente, parece saber tudo o que se passa com os personagens, até mesmo seus pensamentos e lembranças.
Os temas principais desta história são amor não correspondido, ciúmes e amizade. O grande desfio de Isabel é se sacrificar por amor, pois mesmo amando Cristiano, ela aceita escrever cartas amorosas para ele e para sua amiga Rosana.
Não sei se porque agora tenho uma visão mais crítica dos livros que eu leio, ou se simplesmente ele não descreve um momento da minha vida, eu não consegui gostar do livro. Achei de uma melosidade sem tamanho. Queria até dar uns tapas na personagem Isabel por ser tão boba. Achei que o livro todo foi muita enrolação e a personagem não é madura o suficiente para encarar os conflitos da vida.

Se eu indicaria? Não sei... O livro tem suas qualidade, mas mesmo curtinho acho que deveria ser mais profundo. O autor tem outros livros melhores e, se vocês desejam conhecer o trabalho dele, indico o A droga da Obediência, esse vale mesmo a pena!

                                                             


BUENO, Luís. Os três tempos do romance de 30. Revista Teresa (USP), São Paulo, v. 3, p. 254-283, 2003.
Em seu ensaio Os três tempos do romance de 30, publicado pela revista Teresa da Universidade Estadual de São Paulo (USP), o pesquisador Luís Bueno defende a ideia de que os romances publicados na década de 30 passaram por três fases distintas.
Para o autor, a década de 30 não pode ser vista apenas como um tempo de profunda cisão intelectual, na qual a polarização ideológica seria facilmente identificada nos membros de dois grupos distintos, dos quais os romancistas da época faziam parte, mas sim como um dos três tempos no qual este período se divide. Para ilustrar sua tese, o autor faz um levantamento minucioso de obras publicadas na época relacionando-as com o contexto social vivido pelos autores em cada um dos tempos apresentados por ele.
No primeiro tempo do romance de 30, de 1930 à 1932, Bueno destaca a inquietação vivida pelos autores deste tempo, o desejo de criar uma literatura que abrangesse uma definição ideológica concisa. Esta inquietude, pode ser notada em obras como O país do Carnaval e Inquietos que, segundo o autor, apresentam uma narrativa mais focada no coletivo que no individual, ilustrada por jovens que procuram por estabilidade para afirmar suas ideologias, vivendo uma inquietude constante durante esta busca. O autor destaca ainda outros romances que buscam algo mais que o anseio por uma definição ideológica, são obras que se aproximam das características do romance social, mas não chegam a alcançar este objetivo. Nestas obras como Gororoba, O Quinze e Menino de Engenho, os autores, elite intelectual, tenta aproximar as camadas mais baixas com a elite, mas acabam falhando neste esforço pois não parece algo Natural.
A polarização, enfatizada anteriormente por Bueno, que dividia as elites intelectuais da época, é o que move o segundo tempo do romance de 30, 1933 à 1936, é neste período que o romance social atinge seu auge. Alguns romances publicados neste período, chamados de romance proletário como, Cacau, Os Corumbas e Serafim Ponte Grande, trazem novidade para o romance brasileiro ao inserir em sua narrativa figuras marginais, desta forma, estes romances apontam pra uma maior preocupação com as revoltas e com as massas, o coletivo.
Há nestes romances, um rompimento com o romance burguês, com o individualismo, a partir deste momento a ação individual passa a ser um conjunto amplo de ações. Como destaca Bueno, “o que o sucesso de Cacau e Os Corumbas, mais a discussão que se seguira a ele, promoveu foi um verdadeiro mergulho da ficção brasileira naquilo que podemos chamar de “figuração do outro” (BUENO, 2002, p. 262)
O autor ressalta em seu texto, o empasse enfrentado por alguns escritores ao criar um romance proletário, pois em algumas obras, mesmo se falando sobre classes marginais, ainda se podia notar um olhar que distinguia a superioridade entre as classes intelectuais das marginais. Porém, aponta Bueno, mesmo com esse distanciamento entre classes sociais, houve um grande esforço da parte destes escritores para ver além dos limites de sua própria intelectualidade e introduzir na cultura letrada “elementos até aquele momento tidos como bastardos ou nitidamente inferiores.” (BUENO, 2002, p. 270)
Este movimento de figuração do outro não foi o único movimento ocorrido nesta fase. As classes mais altas também estiveram presentes nos romances brasileiros destes anos, romances que eram o oposto do romance proletário. Estas obras, chamadas de literatura intimista ou psicológica, não apresenta nenhum traço da literatura de massa, o foco desses romances é o indivíduo. Bueno, cita alguns autores importantes que representam este tempo, mas destaca que a obra mais relevante é a escrita por Octávio de Faria, suas obras abordam temas burgueses, como religião e política. Tal qual apontado anteriormente nos romances proletário, os romances mais intimistas também sofreram impasses na escrita.
Bueno diz que, mesmo a intelectualidade estando dividida em dois lados, na qual haviam diferentes formas de pensamento e escrita, “o movimento geral entre os dois lados da polarização não se dá em sentidos opostos, e sim em termos de trajetórias paralelas.” (BUENO, 2002, p. 273)
O último tempo descrito por Luís Bueno é o tempo da dúvida, de 1937 à 1939, no qual o romance social passa por um esgotamento, vários são os acontecimentos que levam a este fato, como a instauração do Estado Novo, que alteram mudanças nos grupos de intelectuais da época. O ambiente literário também passa por mudanças, o romance social já não é mais visto como novidade. Surge uma nova dúvida, diferente dos inquietos que buscavam uma convicção firme, esta dúvida “nasce da incerteza diante de um regime definitivamente fechado e da perspectiva de uma guerra que iria decidir o destino do mundo” (BUENO, 2002, p. 279)

Por fim, o autor encerra seu ensaio apontando esse estado de dúvidas quanto ao futuro que despontava no final da década de trinta. Bueno, finaliza o seu artigo dizendo as seguintes palavras: “Num tempo de dor, é preciso assumir a dor e construir sobre ela um futuro. A única opção além dessa parece ser desistir. É esse o alvorecer da nova década que o romance brasileiro desenha: o da ditadura e o da ameaça da vitória nazista numa guerra de impensável violência” (BUENO, 2002, p.283)

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O conto “Um apólogo” escrito por Machado de Assis (grande escritor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, que além de contista foi cronista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta) narra um discussão entre uma linha e uma agulha.  A discussão entre a linha e a agulha nada mais é do que uma disputa de vaidades. Uma tentando mostrar sua superioridade perante a outra. 
Neste conto o autor está ironizando costumes humanos por meio de personagens inanimados (linha e agulha). Através da história destas personagens, Machado de Assis critica a sociedade com seus ciúmes e invejas.
O autor cria dois perfis de seres humanos neste conto: os que trabalham firme e que verdadeiramente “botam a mão na massa”, e os que não se sacrificam tanto mas recebem a fama pelo trabalho feito.
Este é um conto muito bem escrito, que serve para mostrar as falhas do caráter humano. Através da história da linha e da agulha podemos refletir sobre nossas próprias ações. Uma pergunta que focou no fim do conto é: “Sou linha ou agulha?” ou seja, “Será que estou fazendo o trabalho duro ou só me favorecendo pelo trabalho alheio?”  São esses questionamentos que fazem esse conto ser tão atual, apesar de ter sido escrito no século XIX.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ASSIS, MACHADO DE. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. Editora Ática: São Paulo, 1984. P. 59.

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