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O conto “Um apólogo” escrito por Machado de Assis (grande escritor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, que além de contista foi cronista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta) narra um discussão entre uma linha e uma agulha.  A discussão entre a linha e a agulha nada mais é do que uma disputa de vaidades. Uma tentando mostrar sua superioridade perante a outra. 
Neste conto o autor está ironizando costumes humanos por meio de personagens inanimados (linha e agulha). Através da história destas personagens, Machado de Assis critica a sociedade com seus ciúmes e invejas.
O autor cria dois perfis de seres humanos neste conto: os que trabalham firme e que verdadeiramente “botam a mão na massa”, e os que não se sacrificam tanto mas recebem a fama pelo trabalho feito.
Este é um conto muito bem escrito, que serve para mostrar as falhas do caráter humano. Através da história da linha e da agulha podemos refletir sobre nossas próprias ações. Uma pergunta que focou no fim do conto é: “Sou linha ou agulha?” ou seja, “Será que estou fazendo o trabalho duro ou só me favorecendo pelo trabalho alheio?”  São esses questionamentos que fazem esse conto ser tão atual, apesar de ter sido escrito no século XIX.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ASSIS, MACHADO DE. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. Editora Ática: São Paulo, 1984. P. 59.

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BAGNO, Marcos. Certo ou errado ? Tanto faz! In. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola, 2007, p.141-161

No capítulo “Certo e errado ? Tanto faz!” de Marcos Bagno traz a síntese todos os usos de vernáculos em diferentes níveis de variação linguística que pouco a pouco avançam sobre outros usos da língua. Segundo Bagno, as gramáticas normativas se baseiam na escrita e em textos literários, sem levar a espontaneidade que a língua a língua apresenta na oralidade, por exemplo. As gramáticas normativas fazem uma apresentação anacrônica da língua, isto é, desvinculada dos usos reais contemporâneos, até mesmo da escrita literária atual. No entanto, justamente por ser o vernáculo o terreno onde brota a mudança linguística, é que devemos nos dedicar a conhecê-lo com mais precisão. O vernáculo brasileiro acaba sendo excludente no que diz respeito ao uso de variações linguísticas mais estigmatizadas, sendo que tal estigmatização se dá pelo papel social que os indivíduos que usam tais variedades. Já os que possuem uma posição social prestigiada, têm sua variação linguística aceita no meio. Por exemplo, as palavras “ ouro, roupa, comprou, louco” são ditas como “o” o ditongo “ou” ( oro, rôpa, poco etc), ninguém interrompe uma conversas quando alguém não fala o ditongo “ou” por tal variação estar relacionada a pessoas de prestígio social maior. Já as palavras “abelha, telha, palha,  trabalha” são pronunciadas  “abeia, teia, paia”, trabaia” pelas pessoas de baixa escolaridade, que possuem a variação estigmatizada, são tidas como erradas por pessoas de alta escolaridade, pela não utilização do dígrafo LH.
No subcapítulo “ Os mais estgimatizados”, o autor aborda sobre os traços descontínuos que que são os fenômenos línguísticos que sofrem maior carga de preconceito e discriminação na nossa sociedade, por caracterizar a variedade linguística de falantes com baixo ou nenhum prestígio social. As variedades linguísticas estigmatizadas não surgiram por falta de desleixo ou ignorância dos falantes, elas surgiram por questões etmológicas da língua.
·        Queda da vogal átona postônica em palavras paroxítonas: córrego/ corgo; pássaro/ passo; no latim para português; tégula/telha; apícula/ abelha.
·        Não nasalização de sílabas postônicas: home/ homem; ontem/ onte
·        Monotongação de ditongos átonos crescentes em posição final: notíca/ notiça;
·        Rotacismo: troca de L por R: planta/ pranta; placa/ praca etc
·        Pronúncia [y]  por palavras como: abelha/ abeia ; telha/ teia etc.
·        Eliminação do plural redundante, marcado em geral só nos determinantes: os menino, as casa, aquelas coisa toda etc. Mudança que ocorreu no galego português e francês.
·        Redução da morforlogia verbal [eu] canto [tu, você, ele, vocês, eles] canta, também ocorre em centros urbanos escolarizados.
·        Um dos pronomes do caso reto em função de complemento: abraça eu, beija eu, ela gosta muito de tu. Acontece em centros urbanos escolarizados.
·        Uso do pronome oblíquo MIM como sujeito de infinitivo depois da preposição pra/ para: É COISA DEMAIS PARA MIM FAZER, recorrente em centros urbanos escolarizados.
·        Formação analógica do verbo ponhar a partir da primeira pessoa PONHO: EU JÁ PONHEI A MESA DO JANTAR, processos semelhantes ocorre nos maiores centros urbanos.
·        Surgimento da preposição NE, deduzida NO, NA, NUM: ELA MORA NE GOIANIA.
·        Uso de advérvios de intensidades com formas superlativas: MAIS, MIÓ, MAIS PIÓ, MUITO ÓTIMO. Recurso enfático que ocorre nos centros urbanos escolarizados.
·        Léxico característico, variável, de região para região: FRUITA, LUITA, OITUBRO. Muitos dos vocabulários utilizados pertence a literatura medieval e clássica.
O autor cita , alguns dos traços mais característico do vernáculo geral brasileiro ,que aparecem na língua falada por todos os brasileiros , constituindo assim aquilo que é nosso na língua , aquilo que nos identifica mais intimamente como falantes do português brasileiro contemporâneo . O autor relata ainda que a força do vernáculo é muito poderosa , aos poucos esses traços característicos vão conquistando espaço também nos gêneros textuais mais monitorados .Alem disso, o  autor vai elencar  os  traços graduais do vernáculo   brasileiro, como por exemplo a redução dos ditongos /ey/ a /e/e /ay/a /a/ diante de consoantes palatais ou da vibrante simples : beijo [bêjo] , cheiro [chêro] peixe [pêxe], caixa [caxa]etc,.Assim a convenção ortográfica leva a pronuncia forçada , artificial , que não correspondem á realidade falada pela imensa maioria dos brasileiros de todas as regiões .Segundo o autor esses fenômeno interfere no processo de alfabetização , uma vez que a tendência do aprendiz é escrever a vogal simples e não o ditongo . Também é responsável por casos de hipercorreção , como as escritas carangueijo, bandeija , prazeiroso etc.
Neste capítulo o autor cita que os fenômenos linguísticos são investigados e que fica confirmado que essa variação no falar já faz parte da gramática do português brasileiro, sendo percebida em todas as esferas comunicativas, porém alguns defensores da norma-padrão tradicional desprezam os avanços que propõe um trabalho que contemple essa variedade, negando assim o direito de apresentar no ambiente escolar a identidade cultural do país. Para o autor não considerar o modo de falar de um povo é irracional, é ignorar a evolução, já que a língua não é estática ela evolui com seus falantes; não é possível mudar a norma padrão, já que todos devem aprender a norma que rege a língua falada no país, porém é preciso entender que não é só dentro da norma padrão que a língua se adéqua, é necessário aceitar as outras variedades que compõem o léxico falado no país. Segundo o autor não adianta lutar contra as mudanças sociais, assim também acontece na língua, é necessário que se tente se adaptar a esse falar que permeia a sociedade e acompanha todas as evoluções ocorridas.
O autor ressalta que não importa a maneira na qual a pessoa fala, isso tanto faz, mas é necessário que se respeite a forma com que as outras variantes da língua são usadas. O autor não propõe a extinção da forma tradicional da fala, ele deseja que haja uma democratização desta fala, para que não acorram preconceitos linguísticos.
Para o autor, a língua não deve ser usada como forma de exclusão social, é necessário que se conheça a história da língua para que compreendamos a riqueza de nosso vocabulário, e não se valer de normas tradicionais de gramática para descriminar a fala dos outros.

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Título : Por que Estudar Literatura?
Autor: Vincent Jouve 
Gênero: Ensaio, Crítica Literária, Teoria
Editora:  Editora Parábola
Ano: 2012
Páginas: 168

Sinopse: "É preciso ensinar literatura? A pergunta pode parecer brutal. Mesmo assim, merece ser feita. Diante de currículos de ensino sobrecarregados, é legítimo reservar tempo ao estudo de textos de natureza incerta e cuja função não está clara? Neste ensaio, Vincent Jouve demonstra o papel imprescindível dos estudos literários porque eles participam da consciência daquilo que somos e incidem sobre a formação do espírito crítico, motor de toda evolução cultural. A literatura tem um valor específico que confere legitimidade aos estudos literários, porque o confronto com as obras enriquece nossa existência ao abrir o campo dos possíveis. A literatura, pela liberdade que a funda, exprime conteúdos diversos, essenciais e secundários, evidentes e problemáticos, coerentes e contraditórios, que frequentemente antecipam os conhecimentos vindouros. Em cada época, textos estranhos e atípicos nos mostram (ou nos lembram) que o ser humano continua sendo um universo com vasta extensão a explorar. Esta obra se dirige aos pesquisadores em teoria literária, em teoria da arte, e, primeiramente, aos professores e estudantes de literatura interessados em pensar sua prática de ensino e de estudos, além de se dirigir a todos os amantes da literatura."

Olá pessoal!  Hoje temos resenha nova, mas como o livro é complexo, a resenha é apenas sobre um capítulo específico. Espero que ela sirva para discutirmos um pouco mais sobre literatura por aqui! 
O capítulo “A significação artística”, escrito pelo pesquisador Vincent Jouve presente em seu livro intitulado Por que estudar literatura?  trata sobre a maneira de considerar a arte que, no ponto de vista do autor, deve ser considerada pelo desenrolar da criação, ou seja, seu processo. Jouve pretende neste texto, esclarecer a maneira como o processo de criação de uma obra é importante para sua contribuição artística.
O texto se divide em três subcapítulos que se correlacionam. No primeiro, “A arte como prática”, o autor descreve duas características importantes do processo de criação, que é a finalidade da obra e o domínio não completo do artista sobre a obra. Em seguida em “A especificidade do sentido artístico” o pesquisador explica que devemos considerar a obra literária como sintoma e não como uma sinal, pois o autor não possui um controle completo sobre sua obra, desta forma, considerar uma obra literária como sinal, seria pressupor que o autor mantivesse um certo domínio sobre sua criação. Já em “A forma pelo menos: o pensamento inscrito” Jouve revela que não se deve desvincular a forma do conteúdo em uma obra literária, pois ela faz parte do sentido da obra, e a forma deve sempre ser levada em conta.
O autor destaca que, ao produzir um texto literário, o artista não tem consciência da proporção que sua escrita pode tomar, o escritor não tem o controle total de sua escrita, pois um texto pode ter seu sentido atualizado de acordo com contextos diversos nos quais a obra pode ser lida. 
Vincent Jouve deixa claro sua intenção de mostrar ao leitor que, para entender uma obra de arte, é necessário examinar a relação entre a forma que o autor escolheu para sua criação e a maneira como essa criação foi produzida. Nas palavras do pesquisador “todo texto possui uma dupla dimensão”, ou seja, em um texto literário forma não pode ser separada do conteúdo porque ela faz parte do sentido do texto.
Jouve escreve de uma maneira objetiva, na qual se pode compreender claramente suas ideias pois, para facilitar a compreensão de seu texto, ele se vale de exemplos de obras que são conhecidas pelo seu público leitor como, Madame Bovary, Anna Karenina, entre outras.
Este capítulo escrito por Jouve é indispensável para quem deseja aprender sobre a interpretação de uma obra literária e artística. A partir desta leitura, o estudante consegue ter uma base sobre qual é a participação que o autor da obra tem em seu processo de construção, e quais as dimensões que essa obra de arte pode adquirir depois de ser concluída. 

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA: 

JOUVE, Vincent. Por que estudar literatura? Trad. Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012. p.81 a 92.

                                                          
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COSTA, H. Panorama da Poesia Brasileira no século XX. Revista de Letras, São Paulo, 40, 2000, p.13 – 39.
O artigo “Panorama da poesia brasileira no século XX” escrito por Horácio Costa, presente na Revista de Letras do ano de 2000, analisa o corpo da poesia nacional “para enfatizar o peso da tradição e da continuidade” (2000, pg.13), sobre o ponto de vista da ruptura. O autor introduz seu trabalho citando dois fatores importantes nos quais ele deseja guiar seu texto: O primeiro fator, que Costa acredita serem suposições decadentistas, é o da consciência de fim de século. O segundo fator, é o condicionante biográfico que direcionou sua pesquisa.
Costa inicia sua análise citando poetas românticos do Brasil no século XIX, que já exerciam mudanças sociais e políticas no país, o autor destaca que algumas mudanças sociais ocorridas ao longo deste período, tiveram grandes influências nos temas e nas formas dos poemas escritos na época, no qual já podiam se notar algumas manifestações dos procedimentos modernistas de escrita.
É em 1880, com o parnasianismo, que ocorre uma mudança significativa no gosto literário, o progresso do positivismo burguês passa a fazer parte dos ideias da época. Com isso, os padrões eloquentes das escritas anteriores começa a ser desprezado e vistos como ultrapassados. Os parnasianos, que buscavam a objetividade nas palavras e o perfeccionismo nas formas, pecaram, nas palavras do autor, por serem medianos em seus temas. Para embasar suas afirmações, Costa traz excertos de poemas parnasianos de Vicente de Carvalho e Olavo Bilac, nos quais ele explica as dificuldades temáticas.
Diferente dos parnasianos, os simbolistas, não cultuam a objetividade. De acordo com o autor “os simbolistas representaram a face oposta do pêndulo da poesia brasileira do fim do século XIX e início do século XX” (2000, pg.18). Esses poetas tinham uma inclinação pelo lado obscuro e problemático da existência e suas obras eram carregadas de elementos biográficos. O autor cita Cruz e Souza como o poeta com melhores exemplos de poemas simbolistas.  
Ao tratar sobre os poetas parnasianos e simbolistas o autor se questiona sobre a forma de ler a tradição, que para ele, é uma tarefa irrealizável, mas possível, pois o leitor traz suas próprias experiências no momento de ler um texto. Para ele, “qualquer leitura possui uma tolerância- única verdadeira virtude possível para o leitor”. (2000, pg. 20)
Pondo fim aos tratados sobre escritores parnasianos e simbolistas o autor discorre sobre Augusto dos Anjos, que consegui em seus poemas fundir parnasianismo e simbolismo, em uma escrita singular naquele período pré-modernista.
Depois de discorrer sobre romantismo, parnasianismo e simbolismo, o autor inicia sua fala sobre o modernismo. Conforme Costa, o modernismo representou uma ruptura que reafirmou a tradição “do parnasianismo, o modernismo herdou um otimismo e confiança nos meios expressivos; do simbolismo recebe a continuidade na manifestação todo poderosa o eu-lírico e o gosto pelo momentâneo.” (2000, p.22).  A apreciação pelo presente no modernismo não abandona uma preocupação com o futuro, daí sua visão progressista.
O autor destaca que a mudança ocorrida nas artes brasileiras no período modernista foi eficaz e frutífera. Costa analisa alguns autores que tiveram participação importante no início do Modernismo, chamado por ele de “modernismo heroico”, são eles Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Cassiano Ricardo.
         Após falar sobre os poetas da fase inicial do modernismo, o autor passa a discorrer sobre a segunda geração de modernistas, como Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade os quais o autor aponta características importantes do modernismo de sua época. O autor revela, que em sua opinião, o modernismo ocorrido no Brasil entre 1922 e 1930 foi um período de introdução à modernidade.
Costa diz que a geração de 45, período que carecia de inovações estéticas, apenas um poeta se destacou por instituir o rigor como princípio fundamental de composição poética, é João Cabral de Melo Neto, que tem uma poesia objetiva, valendo-se de um tom coloquial que, ao mesmo tempo, preserva a fala antiga. Surge um novo tipo de verso: o mineral, “estranha transformação do verso elétrico dos modernistas e do verso animal dos modernos” (2000, pg.32).
O pesquisador aponta, que a crescente consciência política brasileira na década de 60 afetou toda sociedade e também os poetas. Houve uma aproximação dos poetas concretos com música popular de vanguarda, chamada de Tropicalismo, tendo como representantes Caetano Veloso e Gilberto Gil. “O Tropicalismo é, dessa forma, uma espécie de conciliação da ‘ruptura’ concreta: nova liberação do eu, do poeta como bardo arlequinal, e reverso da modernização que imperou nos anos 50 no Brasil e que dá lastro profundo ao movimento concreto.” (2000, pg. 36).
Costa afirma, após realizar um panorama a respeito da poesia brasileira no século XX, que atualmente não existe um programa estético ou político na poesia, e que isso não é mais considerado uma imperfeição, sendo “uma necessidade que não se concretiza para a preocupação do poeta.” (2000, pg.38).  Esse fato, discorre o autor, é consequência da emergência total da tradição, de todas as vozes, “de uma consciência abarcadora que se vê diante de opções múltiplas, contraditórias e, do ponto de vista da poesia, todas igualmente válidas” (2000, pg.39).
Ao realizar esse movimento de recuperação da tradição, ocorre uma ruptura com a noção de sua sequencialidade. Para Costa, todos os programas são o programa e o presente é denominado como a pós-modernidade, período no qual “o poeta retoma a reflexividade e abre-se para todas as influências como no tempo moderno, sem que por isso siga acreditando que está vivendo a ‘modernidade’” (2000, pg.39). Esta foi superada por sua própria obstinação crítica, tornando-se uma categoria histórico-referencial.
Ele conclui se trabalho dizendo, que a pós-modernidade vive “um presente contraditoriamente antigo – porque nele está presente todo o passado – e futuro – porque sem um projeto que impor e/ou defender estética e historicamente, a própria noção de futuro balança na mente ocidental.” (2000, p.39).

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O artigo “Modelos de letramento literário e ensino da literatura: problemas e perspectivas” escrito pela pesquisadora Mirian Hisae Y.  Zappone trata sobre os conceitos de letramento, no qual ela explica os modelos autônomo e ideológico do letramento, vistos como práticas sociais que usam a escrita, relacionando-os ao uso da escrita literária. O objetivo do artigo é propor uma discussão sobre os conceitos de letramento, de forma que se compreenda a relação do letramento no ensino de literatura.
Zappone defende em seu artigo que a literatura é capaz de causar impactos significativos na vida de um indivíduo e até mudar a forma com que ele age em sociedade. Desta forma, a autora discute sobre a maneira como a literatura deve ser encarada na escola e como o letramento dos alunos é importante. Zappone, tendo em base as ideias de Street (1984), discute sob diferentes práticas de letramento, vistas fora da escola, em diversos contextos com a família, amigos, em atividades ligadas ao lazer como teatro, televisão e cinema.
Para a autora, de acordo com a cultura, e as estruturas de uma sociedade, as práticas de letramento podem mudar. Ela concorda com Street, que essas práticas constituem o modelo ideológico de letramento, porque a escrita assume diferentes significados dependendo dos contextos sociais. Já o letramento desenvolvido na escola, denominado de modelo autônomo, vê a escrita como um produto completo em si mesmo, e busca seu significado no próprio texto, em suas partes constitutivas e em seu funcionamento lógico.  No modo autônomo de letramento, as atividades desenvolvidas com a escrita são feitas com base no texto no qual seu significado está presente.
A pesquisadora compreende que a literatura deve ser vista a partir da ficcionalidade em todas as suas formas, desta maneira, o conceito de letramento deve ser produtivo para que os alunos entendam os aspectos da produção, da recepção e a circulação da literatura, assim como seu ensino.
A partir dessas considerações, Zappone descreve quatro pontos que poderiam ajudar na compreensão de letramento literário. O primeiro ponto é o letramento literário “pode ser compreendido como o conjunto de práticas sociais que usam a escrita literária, compreendida como aquela cuja especificidade maior seria seu traço de ficcionalidade” (pág. 53). No segundo, ela aponta para os usos plurais da escrita e busca quais contextos ou espaços sociais em que práticas de letramento literário seriam plurais. No terceiro, ela indica as relações de poder que hierarquizam práticas de letramento, já que há formas mais dominantes, mais valorizadas e influentes do que outras. E no quarto, ela discorre sobre o letramento literário, como as práticas de letramento em geral.
O artigo de Zappone consegue nortear o leitor que procura se aprofundar nos estudos sobre letramento literário. A autora, embasada nas ideias de pesquisadores como Kleiman, Rojo e Street, nos mostra novos formas de enxergar o letramento literário. Zappone não se vale de muitos exemplos práticos pra ilustrar suas ideias, o que dificulta o entendimento de alguns pontos, mas que em nada diminui o valor de seu artigo.
Zappone escreve um artigo impecável que não deve deixar de ser lido por pesquisadores da área de literatura, professores interessados pelo letramento literário, e demais interessados, pois esta é uma leitura indispensável para quem deseja se aprofundar nos estudos sobre letramento literário. 


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:


ZAPPONE, Mirian H. Y. Modelos de letramento literário e ensino da literatura: problemas e perspectivas. Revista Teoria e Prática da Educação. v. 11, n. 1, p. 46-60, jan.∕abr. 2008. 

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